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Ciúme no relacionamento afetivo

A psicóloga Taciana Santos aborda o assunto “ciúmes no relacionamento” na coluna desta quinzena.

Na primeira coluna, ressaltei sobre relações destrutivas, dentre os fatores que fazem um casal ter atritos. Exemplifiquei sobre o ciúme, pois é sobre este assunto que abordarei. As emoções não apenas interferem naquilo que vemos, mas como os acontecimentos são guardados em nossa memória e no julgamento que fazemos deles. Quando alguém, uma cena, ou até mesmo um objeto nos provoca fortes emoções, focamos a atenção e deixamos de ver outra coisa ao nosso redor, isto se chama cegueira instigada pela emoção.

O ciúme é expresso desde cedo de forma primitiva pelos bebês, originado na infância e na relação com os pais. O mesmo é natural, nós vivenciamos este sentimento em algum momento de nossas vidas, o que diferencia são suas razões e emoções que sentimos. Ele se assemelha ao sentimento de inveja, sentindo inferior à outra pessoa, porém, esta não tem a sensação de perda do objeto amoroso que o ciúme causa.

É natural sentir ansiedade ao perceber que algo ou alguém reduz ou impede o espaço que se ocupa na vida da figura amorosa. Este sentimento surge como um alerta de uma ameaça imaginária ou real. Tem dois tipos de ciúme: o normal e o patológico. O normal é quando temos o cuidado pela pessoa amada. É benéfico quando reconhece ser ciumento e sabe lidar com ele de forma equilibrada.

O ciúme normal é transitório, baseado em acontecimento real. Quando este sentimento deixa de ser saudável e passa a ser uma preocupação excessiva, gerada por desvalorização de si próprio, angústia, insegurança, baixa autoestima, desejo de posse, suspeitas de infidelidade, competição, controle exacerbado do companheiro (a) podendo até mesmo partir para agressões físicas, matar ou cometer suicídio, torna-se o ciúme patológico. A preocupação citada acima pode ocorrer sintomas físicos, tais como: taquicardia, insônia, falta de apetite ou comer excessivamente, sudorese, geralmente gerados pela ansiedade que o ciúme causa.

Um sujeito ciumento controla a vida do seu parceiro tendo comportamentos compulsivos, que denomino também de ciúme patológico (que é um transtorno afetivo grave, uma perturbação total, há uma distorção da percepção por parte do ciumento excessivo alterando a realidade dos fatos). O ciumento sofre, sente raiva, fúria, ama, mas odeia ao mesmo tempo seu parceiro.

Os comportamentos compulsivos geralmente são: fazer visitas surpresas, verificar ligações ou mensagens no celular do companheiro (a), bisbilhotar nas redes sociais algo comprometedor do parceiro (a), vasculhar bolsos e bolsas do cônjuge, duvidar da fidelidade do companheiro e até mesmo segui-lo. Ao ponto de partir para a violência chegando até mesmo à morte.

No entanto, o ciúme faz parte das relações, é natural sentir medo pela ameaça de perder o objeto amado. Muitas vezes nos sentimos inseguros com isto. Porém, se a relação é baseada na posse, há um bloqueio e o relacionamento afetivo torna-se tenso, angustiante, destrutivo, desajustado, prejudicando até mesmo outros setores de nossas vidas. É importante não interpretar o ciúme como drama, estar seguro consigo e com a relação. Pois se você não consegue fazer isto sozinho (a), e o ciúme está atrapalhando sua vida, principalmente seu relacionamento afetivo, é relevante e necessário uma ajuda psicológica ou tratamento psiquiátrico em casos de ciúme patológico. É importante compreender que regular a própria felicidade e do parceiro (a) é uma conduta autodestrutiva. Relacionamentos saudáveis se baseiam em respeito e valorização da individualidade própria e do companheiro.

Abraços Internautas!

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