Editoria | Saúde

MUNICÍPIO ABRE RESIDÊNCIAS TERAPÊUTICAS

Adicionado em 03 fevereiro 2010 por Virou Noticia

Os portadores de sofrimento mental, que perderam vínculos social e familiar, estão sendo remanejados de instituições irregulares para as residências terapêuticas. Trata-se de casas, locais de moradia para pessoas que não têm condições de retornar às suas famílias. 

 Em Santa Luzia, duas dessas residências já estão em funcionamento, desde outubro de 2009. Uma no Bairro São Geraldo e outra no Camelos e já contam com 28 moradores. A abertura das residências terapêuticas se deu por conta de liminar judicial em ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público de Minas Gerais. “Cumprimos uma Liminar Judicial, cujo processo se deu em 2003, que obriga o fechamento de instituições irregulares”, afirma a diretora municipal de saúde mental, Maria do Carmo Tófani. 

 Ainda de acordo com a diretora, o local oferece toda a estrutura visando a reinscerção social dos moradores e ampliação do seu espaço vital, que tenham uma vida normal. “Lá as pessoas serão responsáveis por gerir todo o processo de um lar, como o pagamento de contas, higienização da casa, além de fazer a comida, arrumar a casa”. 

 Todos os residentes são referenciados pelo CAPS (Centro de Atenção Psicossocial). Caso algum morador apresentar sinais de crise, automaticamente será encaminhado ao CAPS. Depois de feito tratamento, ele retornará para a residência terapêutica. 

 As duas residências terapêuticas, já em funcionamento, contam com uma equipe de 9 pessoas, entre, coordenadores, cuidadores, terapeutas ocupacionais e psicólogos. “Cada casa possui dois cuidadores que orientam os residentes, estimulando-s a fazerem o que foi combinado. A proposta é que as pessoas que ali estão tenham condições de realizarem sozinhas as atividades de todo cidadão normal”, disse o terapeuta ocupacional e integrante da equipe técnica, Giulianus Souza. 

 O terapeuta informou também que a equipe técnica fará uma reunião com os ocupantes da casa, a fim de verificar se o funcionamento está sendo feito de maneira correta, caso contrário tentará encontrar uma solução conjunta. 

 Na ocasião a diretora Maria do Carmo Tófani ressaltou a importância da saúde mental para o município de Santa Luzia. “Somos referência no Estado de Minas Gerais. A cidade é a única do entorno De Belo Horizonte que tem um CAPS adulto funcionando 24 horas. Além disso temos seis leitos de atenção integral no Hospital de São João de Deus, com cobertura noturna, para atender crianças e adolescentes portadoras de deficiência mental. Temos ainda a rede protetora da infância e a saúde mental na atenção básica (PSF)”. 

 Tófani fez questão de frisar também que, graças a saúde mental a internação psiquiátrica reduziu muito de setembro do ano passado até hoje e que o Prefeito Gilberto Dorneles não mede esforços para investir na saúde mental do município. “Só no ano passado, o prefeito investiu 70% do custo total do funcionamento da rede de saúde mental com recursos exclusivos do município”. 

 Sobre as residências terapêuticas, a diretora finaliza informando que mais duas casas começarão a funcionar a partir de abril. 

Maria do Carmo Tófani

3 Comentários para esta notícia

  1. Lucimere Alves Says:

    Boa tarde,
    Sobre as residências terapeuticas,
    sou de BH e tenho um tio que tem problemas mentais devido uma acidente que causou um traumatismo anos atrás e hj toma remedios controlados indicados pelo psiquiatra que consulta periodicamente,minha mãe cuidou dele o tempo que moramos no mesmo bairro, porém nos mudamos e ele ficou com um morando com um outro irmão que não o aceita muito bem.
    minha mãe ainda continua cuidando dele levando alguns mantimentos,roupas e utensílios de higiene pessoal aos fins de semana.
    Ele durante o dia fica muito na rua andando,pois o outro irmão não o deixa ficar na casa, só a noite volta pra dormir… isso preocupa muito minha mãe

    Bom,queria saber se seria possível o internar em alguma dessas
    residências terapêuticas?, continuaríamos dando um auxilio com mantimentos roupas, higiene pessoal o que for necessario.

    Desde já agradeço, e
    Aguardo um Retorno.

    Lucimere

  2. Viviane Coimbra Says:

    Lucimere Alves,

    A Saúde Mental é algo que inexiste em nossa atual conjuntura social. A partir do fenômeno da desinstitucionalização do portador de sofrimento mental, aqueles que não têm condições de conviver com a família, que invariavelmente necessita manter sua vida social como trabalho e estudos, passou a viver nas ruas e sem qualquer assistência, afinal o sistema de Hospitais Dia, Cersan´s e CAP´s só funcionam para os pacientes que interagem com o sistema indo até ele.

    Essa é nossa atual estrutura, então, lamentavelmente, sua mãe precisará conviver com essa triste realidade de ver o irmão a perambular pelas ruas, afinal o irmão não o aceita, não pelo simples fato de não aceitar, mas pelo fato de ser impossível a convivência pacífica com o portador de sofrimento mental, dependendo do caso.

    Parece que aos poucos os estudiosos da mente humana se afastaram da realidade, ou melhor, foram condicionados, pelo poder econômico, a burlar a realidade.

    Um grande e fraterno abraço,

  3. DENISE MARCIA SIQUEIRA Says:

    Boa Tarde,
    Gostaria de saber como encontrar cuidador para doente mental.Tenho uma irmã de 51 anos que viveu mais de 20 anos internada no interior de Mg, tem 06 anos que a trouxe para BH. Sou sua curadora pois não temos pais e irmãos vivos.
    Pago uma senhora para cuidar dela em sua casa, uma vez que eu não dou conta, pois ela não me escuta e tenho família,estudo dia todo enfim acompanho tudo de perto. Esta senhora está com problemas de saúde e então preciso de alguém que saiba tomar conta. Ela não é dependente para andar, banhar e comer.
    Obrigada

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