A REFLEXÃO NECESSÁRIA AO EMPRESARIADO DE SANTA LUZIA
*Por Wanderson Machado
Há algo que precisa ser dito, com respeito, mas com franqueza.
As empresas de Santa Luzia estão, em grande parte, vivendo isoladas umas das outras.
É isso mesmo, com raríssimas exceções.
Cada uma fechada em seu próprio problema, em sua própria dor, em sua própria urgência, como se o que acontece do outro lado da rua, do bairro vizinho ou do distrito industrial não tivesse qualquer relação com o seu futuro.
Quando uma empresa é furtada ou roubada, isso raramente mobiliza as demais. Quando outra é multada de forma questionável, o silêncio prevalece. Quando falta mão de obra, o problema é tratado como se fosse exclusivo de quem sofre hoje. E, talvez o mais simbólico: compra-se fora aquilo que é produzido, transformado ou comercializado aqui dentro. Isso não é apenas incoerente — é economicamente autodestrutivo.
Essa lógica individualista cria uma falsa sensação de segurança. O empresário imagina que, por não estar passando pelo problema agora, está protegido. Mas a realidade insiste em provar o contrário: o problema que hoje atinge o vizinho pode bater à sua porta amanhã, com a mesma força ou até maior. A diferença é que, quando isso acontece, ele também estará sozinho.
Nenhuma empresa é uma ilha. Todas dependem do mesmo ambiente institucional, das mesmas regras, da mesma força de trabalho, da mesma cidade. Quando esse ambiente adoece, nenhuma empresa sai ilesa. A falta de união não enfraquece apenas quem sofre o problema imediato — ela enfraquece todo o ecossistema empresarial.
Reivindicações feitas de forma isolada são mais fáceis de ignorar. Dores compartilhadas, organizadas e levadas de forma coletiva se tornam pautas. Solidariedade entre empresas não é romantismo; é estratégia. Proximidade não é favor; é inteligência empresarial.
Enquanto cada um olhar apenas para o próprio caixa, para o próprio portão e para o próprio CNPJ, continuaremos perdendo força, espaço e voz. Quando compramos fora, quando ignoramos o problema do outro, quando normalizamos a injustiça alheia, estamos enfraquecendo o chão que sustenta o nosso próprio negócio.
Santa Luzia precisa de empresários que entendam que união não é discurso bonito, é ferramenta de sobrevivência. Que comodismo cobra um preço alto. E que a indiferença de hoje pode ser a solidão de amanhã.
A pergunta que fica não é se o problema do outro pode se tornar o seu. A pergunta real é: quando isso acontecer, quem estará ao seu lado?
*Wanderson Machado
Empresário
Bacharel em Direito
Coordenador Executivo Sindical (@SIMMMESL)
Consultor em Relacionamento Institucional


