PROFESSORA BUSCA APOIO PARA CORRER A SÃO SILVESTRE

Após encontrar na corrida uma forma de enfrentar um período difícil da vida, Nívia Rocha acumula conquistas no esporte e mobiliza uma vaquinha online para ajudar a custear as despesas da viagem para a tradicional prova em São Paulo.

Por Cibele Miranda – 22.10.2026

A professora da rede municipal de Santa Luzia e corredora Nívia Rocha está se preparando para um dos desafios mais importantes de sua trajetória esportiva: participar da 101ª Corrida Internacional de São Silvestre, uma das provas de rua mais tradicionais do país. Para viabilizar a participação, ela criou uma vaquinha on-line com o objetivo de arrecadar recursos para ajudar a pagar as despesas da viagem, incluindo transporte, hospedagem e alimentação.

A iniciativa nasceu de uma conversa com colegas de trabalho, que incentivaram a atleta a compartilhar sua história nas redes sociais e buscar apoio para realizar o sonho. Apesar de reconhecer a dificuldade de pedir ajuda, Nívia decidiu colocar o plano em prática e criou o perfil @almaderocha, no Instagram, onde publica registros dos treinos, das competições e de sua rotina.

Mais do que uma meta esportiva, a participação na São Silvestre representa uma trajetória marcada por superação, persistência e descobertas pessoais.

Da busca por equilíbrio às primeiras conquistas

A relação de Nívia com a corrida começou em 2022, durante um período delicado de sua vida, marcado por depressão e crises de ansiedade. O primeiro contato com o esporte aconteceu por meio de uma amiga, a massoterapeuta Marcela, que lhe apresentou o Calma Clima, grupo de corrida de Belo Horizonte.

Inicialmente, Nívia acompanhava as atividades pela internet. Em um dia particularmente difícil, durante uma crise de ansiedade, decidiu calçar um tênis e participar de um treino.

Naquele momento, segundo ela, não havia preocupação com medalhas, troféus ou competições. A motivação era encontrar forças para enfrentar as dificuldades pessoais.

Com o passar do tempo, a corrida deixou de ser apenas uma atividade física e passou a fazer parte de sua rotina. Vieram as primeiras provas oficiais, os pódios, as medalhas, os troféus e a vontade de descobrir até onde poderia chegar no esporte.

Hoje, com quase quatro anos de experiência na modalidade, a atleta considera que a corrida mudou sua maneira de lidar com os desafios. Embora reconheça que a prática não resolveu todos os seus problemas, ela afirma ter encontrado no esporte uma forma de cuidar de si e recuperar a confiança.

Trabalho, maternidade e treinos

Conciliar a carreira na educação, a família e a preparação física está entre os principais desafios da corredora. Nívia trabalha na área da educação há mais de 13 anos e cumpre jornada nos dois turnos. Além das responsabilidades profissionais, dedica tempo à casa, aos dois filhos e aos compromissos familiares.

A rotina de treinamento também exige organização. Ela pratica musculação há aproximadamente oito anos, treina de cinco a seis vezes por semana e procura correr três vezes por semana. Nos fins de semana, sempre que possível, participa de provas.

Os treinos são realizados com o grupo Calma Clima, na região da Pampulha, em Belo Horizonte, ou na esteira da academia, quando a agenda está mais apertada.

Nesse percurso, Nívia destaca a importância das amizades construídas por meio da corrida. Entre as pessoas que a acompanharam desde o início estão Elizângela, conhecida como @boralili, e Walison, do perfil @vaicorreronde. Segundo a atleta, os dois ofereceram apoio e incentivo nos momentos em que ela pensou em desistir.

Para Nívia, a corrida também se tornou um espaço de reencontro consigo mesma, em meio às diferentes responsabilidades do cotidiano.

Desafios dentro e fora das competições

A trajetória esportiva também foi marcada por frustrações. Nívia relata que já foi desclassificada de uma prova e precisou deixar de participar de competições por questões financeiras. Mesmo diante das dificuldades, continuou treinando e buscando novas oportunidades.

Em um dos episódios mais delicados que diz ter vivido no esporte, a atleta conta que conquistou o primeiro lugar em uma competição, mas foi questionada por outra participante quanto à sua condição de mulher. Segundo seu relato, ela precisou apresentar documentos para comprovar sua identidade, situação que descreve como constrangedora.

A experiência reforçou sua percepção de que os desafios enfrentados pelas mulheres no esporte vão além do desempenho nas pistas.

Na avaliação de Nívia, as corredoras ainda precisam conquistar mais visibilidade, reconhecimento, incentivo e oportunidades de patrocínio. Ela observa que muitos atletas arcam com os próprios custos para participar de competições, mesmo dedicando tempo e esforço à preparação.

A dificuldade financeira também interfere diretamente em seus planos. Além das despesas cotidianas, participar de provas em outras cidades pode exigir gastos com inscrições, transporte, hospedagem e alimentação. No caso da São Silvestre, a vaquinha foi criada para ajudar principalmente com os custos necessários para a viagem e a participação no evento.

Vaquinha busca viabilizar viagem para São Paulo

A ideia de participar da São Silvestre surgiu durante uma conversa com amigas do trabalho, quando Nívia comentou sobre a vontade de disputar a prova em São Paulo. Foram as colegas que sugeriram a criação de um perfil no Instagram e de uma campanha de arrecadação on-line.

A atleta admite que inicialmente ficou constrangida com a possibilidade de pedir contribuições. Ainda assim, decidiu compartilhar seu objetivo e permitir que outras pessoas participassem da realização desse sonho.

A resposta, segundo ela, tem sido positiva. Além das doações que começaram a chegar, Nívia passou a receber mensagens de incentivo de pessoas que acompanham suas publicações. Algumas relatam identificar-se com sua história, enquanto outras afirmam ter se sentido motivadas a começar a praticar atividades físicas.

O perfil, que foi criado para mostrar os treinos e divulgar a campanha, também se transformou em um espaço para compartilhar mensagens motivacionais e reflexões sobre a vida.

Para a corredora, o apoio não se resume ao dinheiro arrecadado. As manifestações de carinho e as palavras de incentivo também têm importância durante a preparação.

A campanha não representa apenas a busca por recursos para uma viagem. Para Nívia, ela também significa aprender a aceitar ajuda e reconhecer que a realização de um objetivo pode contar com a participação de outras pessoas.

Um sonho que representa recomeço

A São Silvestre tem um significado especial para a atleta porque reúne diferentes momentos de sua trajetória. A mulher que começou a correr em 2022, em busca de forças para enfrentar uma fase difícil, agora se prepara para participar de uma das provas mais conhecidas do calendário brasileiro.

Ao olhar para o caminho percorrido, Nívia destaca que suas conquistas não se resumem aos resultados das competições. A experiência no esporte contribuiu para que ela descobrisse novas possibilidades, construísse amizades e encontrasse motivação para continuar.

Sua mensagem é especialmente direcionada às mulheres que, diante das responsabilidades familiares e profissionais, acabam deixando os próprios desejos em segundo plano. Para ela, cuidar de si não é egoísmo, mas uma necessidade que pode contribuir para o bem-estar e a qualidade de vida.

Nívia não pretende transmitir a imagem de alguém que nunca sente medo ou cansaço. Sua história, segundo ela, é a de uma mulher que enfrenta dificuldades, respeita os próprios limites e continua tentando.

A campanha para a São Silvestre é mais uma etapa desse percurso. Com a ajuda de quem acompanha e apoia seu trabalho, ela espera transformar o sonho de correr em São Paulo em realidade.

Como contribuir:

? Vamos juntos ajudar a Nívia a dar mais esse passo rumo à realização de seu sonho!

? Contribua com a vaquinha:

https://www.vakinha.com.br/vaquinha/passos-que-inspiram-me-ajude-a-correr-a-sao-silvestre-101

Pix em qualquer valor também é bem-vindo:

07116718699

Nívia Gomes Rocha

? Acompanhe no Instagram: @almaderocha

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