“RACHADINHA” NA SAÚDE – OPERAÇÃO POLICIAL CUMPRE MANDADOS DE BUSCA E APREENSÃO
Na manhã desta quarta-feira (9/9), policiais da 2ª Delegacia de Polícia Civil de Santa Luzia cumpriram sete mandados de busca e apreensão em endereços localizados no município e também em Belo Horizonte.
De acordo com informações apuradas pela reportagem do Virou Notícia, entre os locais alvo da operação estão a residência do ex-secretário municipal de Saúde de Santa Luzia, Rodrigo Gazeto, atualmente vereador pelo MDB, além de endereços de servidores e ex-servidores da Prefeitura de Santa Luzia (incluindo dois médicos).
A Polícia Civil investiga um suposto esquema de “rachadinha” envolvendo plantões médicos na rede municipal de saúde. A denúncia veio a público em junho do ano passado e, à época, foi confirmada pelo vereador Junin do Lau, durante entrevista exclusiva concedida ao Virou Notícia.
Após o assunto ser debatido na Câmara Municipal, em setembro do ano passado, nós também conversamos com o então responsável técnico do Hospital Municipal, o médico Dr. Jonathan Cristiano que enviou um ofício ao legislativo Luziense afirmando desconhecer a suposta prática de rachadinha. Durante a entrevista, o médico afirmou que não havia nenhuma denúncia e que as folhas de ponto dos médicos estavam à disposição de “qualquer pessoa que passasse na rua” para verificar a assiduidade dos médicos nos plantões.
A denúncia foi encaminhada então para a Polícia Civil que instaurou um inquérito para investigação que culminou na operação realizada hoje.
Mas, a Polícia Civil, informou hoje, por meio de nota, que não dará mais detalhes sobre a operação tendo em vista que a investigação está sob sigilo, decretado pelo Poder Judiciário.
O ESQUEMA
A investigação apurou repasses de recursos de plantões fictícios – em que o município pagava os médicos – sem que os plantões ocorressem, tanto na UPA São Benedito, quanto no Pronto Atendimento do Hospital Municipal Madalena Parrillo Calixto.
Havia um esquema de escalas que era humanamente impossível cumprir. Há casos de médicos que teriam realizado plantões no período de 30 dias que somados, chegavam a 750 horas. O que ultrapassava as 720 horas existentes no mês.
Segundo a nossa apuração, a investigação revelou diversas movimentações suspeitas entre os investigados, que seriam além dos dois médicos (RT´s), Jonathan Tibúrcio e Robson Rodrigues; o então diretor da UPA e do Hospital Municipal, Israel Fernandes; servidores da secretaria de saúde e o ex-secretário da pasta, Rodrigo Gazeto.
Um médico – que de forma colaborativa – aceitou participar do esquema, devolveu, na Delegacia – em juízo – em apenas um mês, a quantia de R$ 35 mil.
A polícia civil, no entanto, não detalhou como o esquema funciona nem a quantia que foi movimentada de forma irregular. As investigações continuam.
A nossa reportagem não conseguiu contato com os investigados.

Ramon Damásio/VN

