OBRA DA COPASA PREJUDICA MORADORES DO IMPERIAL

Devido a intervenções da Copasa no bairro Bonanza, linha 4155 não cumpre itinerário e obriga passageiros a caminharem mais de 1,5 km. Idosos e pessoas com mobilidade reduzida são os mais afetados.

Por Cibele Miranda

A rotina dos moradores do bairro Imperial tem sido marcada por transtornos, atrasos e muita indignação ao longo destas duas semanas. O motivo é a interrupção do trajeto da linha de ônibus 4155, que parou de descer até o bairro devido a obras de esgoto realizadas pela Copasa no bairro vizinho, Bonanza, próximo à região do Petrópolis.

Sem aviso prévio de rotas alternativas eficientes, os ônibus estão fazendo o retorno antes do ponto onde a via está interditada. Com o descumprimento do itinerário, a população do Imperial foi deixada à própria sorte, precisando caminhar mais de 1,5 km para conseguir embarcar ou chegar em casa. “Hoje pela manhã, precisei do transporte coletivo e fiquei esperando por mais de 50 minutos. O ônibus simplesmente não chegou ao ponto devido à obra. Cheguei atrasado ao meu compromisso e quase perdi meu atendimento. Precisamos trabalhar, isso é uma falta de respeito com a gente”, afirmou uma moradora.

Falta de planejamento e cobranças

A comunidade questiona a falta de comunicação e de um plano de contingência por parte dos órgãos envolvidos. Segundo os moradores, a tarifa cobrada pelo transporte já tem um “valor absurdo”, o que torna inaceitável a prestação de um serviço incompleto.

A exigência é que a Prefeitura, a concessionária Rodap e a Copasa alinhem suas ações. As principais reivindicações dos moradores incluem:

  • Desvio temporário: Criação de uma rota alternativa que garanta o atendimento ao bairro Imperial;
  • Regularização da frota: Ajuste nos horários para evitar esperas que chegam a quase uma hora;
  • Planejamento conjunto: Que futuras obras sejam estudadas antecipadamente pelas empresas para que a população não pague a conta da desorganização.

 O que dizem as autoridades: Prazos divergentes e interdição total

A reportagem entrou em contato com os órgãos responsáveis para buscar esclarecimentos. Em notas enviadas, às instituições confirmaram a obra, mas apresentaram divergências quanto ao prazo para a normalização do serviço.

  • Rodap aponta normalização para esta sexta-feira: A concessionária responsável pelo transporte informou que a Rua Ceará fica fechada das 8h30 às 15h30 para as intervenções. Conforme orientações da Secretaria de Trânsito, durante esse período o ônibus não consegue fazer o trajeto original, e o atendimento final da linha tem sido realizado apenas até a Escola Dulce Viana. Segundo a empresa, a informação repassada pela Copasa é de que a obra vai até esta sexta-feira, quando o itinerário deverá ser normalizado.
  • Copasa prevê obras até o final de julho: Em contrapartida, a Copasa apresentou um cronograma bem mais extenso. A Companhia informou que a obra na Rua Ceará, próxima ao nº 240, é para a implantação da rede de esgotamento sanitário do bairro Bonanza. A empresa ressaltou que a intervenção é acompanhada pelo Departamento de Trânsito de Santa Luzia e que a previsão oficial é que o trecho seja liberado para tráfego apenas até o fim de julho deste ano.
  • Prefeitura descarta sistema “pare e siga”: Questionada sobre a viabilidade de adotar meia pista para amenizar a longa caminhada dos passageiros, a Prefeitura de Santa Luzia, por meio da Secretaria Municipal de Obras, informou que a interdição parcial não é possível. Segundo a pasta, o bloqueio total é “indispensável para garantir a segurança dos trabalhadores, dos usuários da via e a adequada execução dos serviços”.

Além dos evidentes transtornos físicos e do desencontro de informações sobre os prazos entre as instituições, fica escancarada uma falha grave: a absoluta falta de transparência. É inaceitável que uma obra de tal magnitude, que afeta diretamente o direito de ir e vir de trabalhadores, estudantes, idosos e pessoas com mobilidade reduzida, tenha sido iniciada sem qualquer aviso prévio à comunidade.

Se a interdição total da via foi “previamente apresentada e alinhada em reunião”, como afirma a Prefeitura, por que a população — a principal interessada e prejudicada — foi a última a saber?

Diante desse cenário de desinformação, restam questionamentos cruciais que foram feitos sobre a postura dos órgãos responsáveis. Por que o Departamento de Trânsito não atuou preventivamente no local com a colocação de faixas sinalizadoras, alertando tanto os motoristas quanto os usuários do transporte público coletivo? Da mesma forma, questiona-se se foi feito algum comunicado oficial no site ou nas redes sociais da Rodap para que a população pudesse ter rotas alternativas em mente e não gerar tantos transtornos. A aparente ausência dessas medidas básicas de comunicação agrava o sentimento de desamparo, e até o momento não tivemos respostas.

Pegar os moradores de surpresa, deixando-os à beira da calçada sem informações ou sem um plano de rotas alternativas claro, demonstra um profundo descaso. O cidadão, que já arca com tarifas de transporte elevadas e impostos rigorosos, não pode ser tratado como mero espectador dos problemas da cidade.

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